Galácteos - Parte 50 - Blog do Arcanjo

Galácteos - Parte 50

Aigon estava novamente com a sua bolsa, mais os artefatos dourados. Isso ocorreu após deparar-se com Gorkin que fugia com elas por esta mesma trilha, ao qual visava impedir a missão no templo, buscando a saída desta região e levando os objetos consigo. E com este encontro inusitado o guerreiro descobrira que Vork não havia silenciado Aigon, e temendo ser ferido procurou apaziguar a situação ganhando a confiança do jovem, devolvendo seus pertences, fingindo ser amigo. Gorkin percebera que seu objetivo ainda não fora terminado, havendo também outro empecilho adiante. Além do jovem, uma ameaça estaria a espreita de ambos, que se uniram rumo ao fim daquele corredor:
_ Perfeito. Poderemos seguir viagem. Estamos no caminho certo. – e apontando para frente disse Aigon – O corredor está novamente aberto, pois antes se encontrava isolado.
A aflição tomara conta do guerreiro, ao perceber o andamento de sua missão:
_ E o que você vai fazer?
_ Você verá Gorkin! Agora vamos! Precisamos ficar atentos! Caveira deve estar por perto. Só não entendo porque ele não fugiu com os outros.
Os dois seguiram livremente. Com passos precisos dirigiam-se em linha reta para o cômodo que revelaria o propósito dos objetos. Todavia, sem saber que muitos metros à frente as pegadas do Caveira já se apresentavam no salão, bastante luminoso:
_ Conhecendo Vork posso presumir que ele deixara Caveira para trás em sua fuga. Tiveste sorte em não ter sido morto. – disse Gorkin.
_ Talvez, mas devo ser grato a Dârti. Sinto que fui salvo por ele. Pobre homem. Perdeu seu irmão durante esta jornada e está confuso, fragilizado. Na certa foi manipulado por Vork todo esse tempo. – lamentava em suas palavras.
_ Vork é muito esperto. Mas este guerreiro já partiu com ele pela trilha da direita. Não há nada que possamos fazer por ele. Foi sua escolha.
Aigon concordava balançando a cabeça, e notava os rastros na areia e a proximidade do local:
_ Caveira tivera sua vida poupada e sabe que não há como reconciliar-se conosco. Seu ato custou a perda das pedras que tínhamos.– o jovem com um semblante bastante sério.
_ Somos dois contra ele. Iremos pegá-lo, mas e depois? O que fará? – perguntava o guerreiro embora soubesse de seu intento.
_ A bolsa que me devolveste possui dois artefatos, que haverei de usar neste lugar. Não sei o que acontecerá, mas logo saberemos.
Gorkin nada dissera. Apenas aguardava o momento adequado para impedi-lo de sua ação, porém, antes precisava auxiliá-lo para achar o Caveira.
Um portal já se via na lateral esquerda ao fim da vereda. Por ela emanava uma luz que refletia sobre o canto oposto do corredor, realçando pegadas recentes na areia:
_ Prepare-se. – sussurra o jovem que segura sua espada caminhando cautelosamente até sua entrada. Gorkin faz um sinal indicando que está logo atrás, e assim os dois se aproximam gravando suas pegadas no solo.
Ligeiramente o jovem surge defronte a claridade, olhando fixamente para o salão. Nada hostil lhe agride, nem presença alguma se achava. Aigon inicia seus primeiros passos, adentrando ao ambiente. Logo Gorkin viera a fazer o mesmo:
_ É aqui? Nossa!
_ Sim Gorkin. Este é o ponto final do meu propósito. – e olhava impressionado e assustado para o cômodo.
E o lugar era espaçoso, com paredes repletas de gravuras, cujas laterais tanto na esquerda quanto na direita revelavam várias escadas que desciam em forma de espirais. Sua coloração era dourada e não havia pilares, nem esculturas. No entanto, ao centro se via algo bastante estranho.
Os dois caminhavam e olhavam as escadas estreitas ao lado, até focarem naquilo que vos fugia a compreensão:
_ Um tronco de árvore? – Gorkin abismado. – O que isso faz aqui? Está podre.
O tronco estava deitado e parcialmente deteriorado, com suas folhagens amareladas e secas, espalhadas pelo chão:
_ Não faço idéia. Parece que foi arrancada desde a raiz. – e passava a mão sobre o tronco.
Mais adiante de onde estava presente a árvore tombada, chegava-se ao fundo do salão,com sinais na parede, estes que despertaram ainda mais a atenção dos guerreiros. Nela, círculos desenhados, cada qual com um símbolo diferente acima. E ao seu redor setas apontavam para outras circunferências, e todas elas formavam um grande circulo em volta de um relevo desenhando uma mão:
_ Todos os sinais explicam algo não acha? – indaga Aigon que prossegue – Essa mão em relevo é muito parecida com a do local onde obtive a minha pedra de invisibilidade.
Gorkin não sabia o que fazer, nem o que dizer:
_ Este lugar me traz arrepios. Melhor tomarmos uma destas escadarias.
_ Acho que vou pressionar essa mão em relevo. – concluiu Aigon.
De repente uma voz ecoa pelo cenário:
_ Estou impressionado que ainda vive!
Os dois se viram para descobrir a origem do som:
_ Caveira! – grita o jovem – Por que me atacou? – pergunta o jovem reconhecendo o autor da voz que retornou a falar pelo cômodo.
_ Quando recobrei a consciência, imaginei que você já estava morto, por Vork, aquele traidor nato.Ele conseguiu me enganar, tomou-me pela segunda vez o meu poder, e havia levado a sua bolsa. Por sorte, ainda havia um refúgio para mim! A passagem foi reaberta.
Aigon tentava detectar a origem da voz andando pelo salão, enquanto Caveira tornava a falar:
_ Um refúgio onde preserva o meu sonho. Ah! Como eu queria voltar para cá! Mas, com o objeto dourado. Um destes e realizaria meu desejo.
_ Você queria fugir! Não queria? Agora diz sobre estar aqui! – brada Aigon.
_ Sim! Eu pretendia quando descobri que o caminho estava isolado, onde nem eu ou sequer vocês conseguiriam ultrapassar!
_ Entendo, você gostaria de realizar seu intento sozinho.
_ Sim! Na verdade queria tirar todos vocês deste local! Cedo ou tarde você teria de se desfazer de seus pertences, com o retorno do monstro. E então eu me apossaria deles e estaria livre para descobrir a verdade presa neste lugar.
O jovem deduziu que o Caveira estava em uma das escadarias e de imediato partiu para o caminho:
_ Mas você pretendia ir até o final não é mesmo? Até que estou feliz por isso! Vejo que está com a sua bolsa. Naturalmente com os objetos. Só preciso tirar os dois do meu caminho. – dizia o inimigo.
Aigon descia pelas escadas, bastante nervoso, alcançado o cômodo que havia por baixo, mais escuro. Do outro lado várias escadas que o colocaria novamente no salão principal.
_ Onde está você seu covarde?
Mal acabara de falar e foi surpreendido pelo guerreiro que escondido salta sobre si:
_ Aqui!
E os dois caem no chão juntos. Contudo, Caveira está sobre o jovem tomando vantagem:
_ Sabe o que aconteceu aqui antes? Algo trágico! Mas mostrou-me uma possível realidade, de que esta é a saída deste purgatório. – e desferia golpes em Aigon que por sua vez se defendia. Quando conseguiu juntar forças, o empurrou de lado, levantando-se.
Mas ao olhar rapidamente a sua volta viu que sua espada desaparecera:
_ Procurando por isto? – e o inimigo mostrou a espada em suas mãos.
O jovem então se concentrou e partiu de punhos fechados pra cima dele. Em contrapartida Caveira tentou desferir um golpe, mas ao primeiro ataque a lâmina crava sobre o braço de Aigon que ignora a dor atingindo-o com uma mão livre, usando a técnica dos dois mitos, ensinada por Dârti na prisão.
Caveira desabada de canto atordoado, mas aos poucos se direciona para uma escada.
Ploft
_ Aaaahhh!!! – o guerreiro se senta de canto, retirando sua espada do braço.
Gorkin desceu as escadas mancando, vendo o resultado da luta, porém, apenas Aigon estava no ambiente:
_ Você está bem?
_ Ajude-me Gorkin.
_ Minha nossa! O corte foi profundo. – E Gorkin o auxilia pelos ombros. – Onde está ele? – referindo-se ao Caveira.
_ Fugiu. Pegue minha espada e vá atrás dele! Ele está sem espada alguma! Vai!
Gorkin obedeceu tomando a espada do jovem e quando estava para sair ouviu uma noticia que poderia arruinar a sua missão:
_ Ele conseguiu pegar um artefato Gorkin! – e conferia a sua bolsa.
_ Volto pra te buscar. – e acelerou o andar.

***

No salão dos pilares Hophings permanecia ansioso e perambulava por entre as pedras que estavam nas esculturas das mãos:
_ Se tivesse liquidado Vork anteriormente, nada disso teria acontecido! – resmungava-se Kiltay – Eu pensava que ele conhecia este lugar! O achado de Pântamo.
_ Não adianta lamentarmos! Precisamos agir! Vou tomar uma destas pedras.
_ Não faça isso Hophings! Isso vai contra o que Pântamo realizava! Não podemos usá-las!
Hophings alterado brada:
_ Pântamo está morto! Não podemos pensar mais sobre o objetivo dele! Temos que capturar Gorkin! E saber se Aigon está vivo, ou o Caveira!
O velho se entristeceu por sua postura:
_ Faça o que quiser. Ficarei neste cômodo.
O guerreiro então se movimentava para escolher a pedra adequada para romper a barreira que fechara as duas trilhas:
_ Sei que tudo aconteceu conforme Petras dissera, mas não é possível que nada possa ser mudado. – e havendo dito isto sentiu uma forte atração por uma pedra de cor marrom. – Acho que é você minha escolhida.
Kiltay de longe falava:
_ Petras parecia não saber acerca da morte de Trevor. Estranho!
Quando olhou para o seu companheiro, viu que ele não estava mais entre os pilares. No mesmo instante um enorme estouro fez voar rochas para tudo que é parte, próximo dos caminhos fechados.

Crummmmmmmmmb

O velho correu em direção a trilha da esquerda:
_ Hophings? Hophings?
E a passagem estava totalmente aberta com uma enorme fenda, bem ao meio da camada espessa que isolava o caminho.
_ Que poder é este que você usou?

Continua...

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